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terça-feira, 15 de março de 2011

Superlotação leva presos à greve de fome

15.03.2011

Superlotação leva presos à greve de fome

Superlotação leva presos à greve de fome (Foto: Mauro Ângelo)
Policiais da Seccional do Guamá temem que 'estoure' uma rebelião (Foto: Mauro Ângelo)
Os presos da carceragem da Seccional Urbana do Guamá, iniciaram, na tarde de ontem (14), uma greve de fome. Motivo: a superlotação somada às péssimas condições de higiene e saúde ali encontradas. Eles pedem as transferências imediatas dos detentos ao Sistema Carcerário, o que deixou de acontecer há mais de 10 dias. Segundo policiais civis, o início de rebelião foi controlado, mas não há garantias de estabilidade no cárcere, que tem capacidade para 10 detentos mas, no momento, abriga 21.
O chefe de Operações da Seccional do Guamá, investigador Francisco de Assis, da Polícia Civil, na semana passada, recebeu uma carta em que os presos denunciam a situação da carceragem. “Eles ameaçaram por escrito, que se as transferências não começassem a acontecer, os presos iam escolher um detento para levá-lo morto para mim”.
A informação deixou o policial com receio de que a ameaça seja cumprida. “Tememos que inicie uma onda de violência no interior da carceragem e que agressões e mortes possam surgir”.
Ainda segundo ele, os presos encaminharam ontem uma nova carta, que desta vez, iniciando a greve de fome. No manuscrito, consta a solicitação da presença da imprensa no local e ainda reforça: “Quero que fique ciente desde já: faremos greve de fome”. Sobre a situação da cela, eles denunciam que a cela “é o puro abandono e descaso com os presos. Há pessoas doentes com febre alta e suspeita de dengue, sem quaisquer condições de higiene”.
O escrito deixa expressa a reivindicação “sobre a nossa (dos presos) transferência para outras unidades”. Sobre o prazo de encerramento da greve de fome, eles expressam: “não pararemos até obter uma resposta concreta”. Em relação ao poder de repressão policial, a carta traz um alerta: “Sabemos que os policiais chamarão a Rotam e daí para frente vocês já sabem o que vai acontecer...”. Por fim, a carta é assinada pela “Comunidade: Ouçam os Barulhos”.
De acordo com o chefe de operações, o movimento ainda não tem um líder, mas um grupo de foragidos da Colônia Agrícola Helena Fragoso, em Americano, está à frente das exigências. “São indivíduos perigosos, que respondem na justiça principalmente por assalto e tráfico de drogas”.
Durante os momentos de tensão, por mais de uma hora, Francisco de Assis conseguiu acalmar os ânimos na carceragem. “Hoje (ontem) contornamos a situação, justificando a falta de transferência por não ter sido disponibilizado vagas ao Sistema Carcerário nos últimos dias, mas não sabemos o que eles podem fazer amanhã (hoje)”, alerta.
Para tentar contornar o início de motim, segundo Assis, foi prometido aos presos que a direção da Seccional do Guamá vai tentar negociar com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) para que sejam feitas as transferências semanais.
A assessoria de comunicação da Susipe foi procurada e encaminhou o caso à assessoria de comunicação da Polícia Civil, que por sua vez informou que a Diretoria de Polícia Metropolitana (DPM) já tomou providências para que sejam transferidos, ao Sistema Penal, os quatro presos responsáveis em incitar os demais detentos, no interior da carceragem da Seccional Guamá, a fazer greve de fome e reivindicar outros tipos de benefícios, que são atribuições de presídios e não de seccionais. (Diário do Pará)

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