Parto termina em morte trágica de bebê
A morte de um bebê durante o parto, ontem (24), no município de Concórdia do Pará, está sendo averiguada pela polícia. A médica Maria Isa Vasconcelos, que fez o parto, está sendo acusada pela família da mãe do bebê de causar a morte. Ela teria quebrado o pescoço da criança enquanto tentava puxar o bebê.
A mãe, Débora Maciel, de 23 anos, deu entrada na Unidade Mista de Saúde do município de Concórdia por volta das 9h de ontem. De acordo com informações prestadas à Polícia, a família de Débora afirma que estaria tudo certo para que a moça fizesse um parto cesariano, pois teria sido constatado durante o pré-natal que ela não teria passagem para o bebê. A criança seria grande demais.
Mas, ao chegar ao hospital para dar à luz o bebê, a orientação feita durante o pré-natal não foi seguida. Segundo o depoimento de familiares à polícia, a médica teria insistido para fazer um parto normal.
O pai do bebê, Cleison Barros, de 22 anos, disse ao DIÁRIO que foi avisado por uma enfermeira sobre a morte de sua filha e que depois do parto não viu mais a médica responsável. Ele também disse que, ao se dirigir à diretoria do hospital, foi orientado pela vice-diretora a preencher uma ata registrando a reclamação sobre a morte.
“Eles simplesmente mandaram eu preencher aquela ata e mandaram levar o corpo da minha filha para casa para enterrar. Nem o atestado de óbito me deram. Pediram para que eu passasse depois para pegar”, contou, revoltado. Segundo Cleison, Débora já foi avisada sobre a morte da filha. “Ela está muito triste, muito abalada. O estado emocional dela está muito ruim”.
O corpo da criança foi encaminhado ao Centro de Perícias Científicas de Castanhal, mas, devido à complexidade do caso, foi encaminhado à unidade do órgão em Belém. De acordo com o delegado Cristiano Sanches Júnior, titular do município de Concórdia, o corpo da criança deve ser submetido a um exame de raio-X. É esse exame que apontará se houve ou não fratura no pescoço do bebê. “É uma situação muito complicada. Além desse exame, o legista pediu muitos outros”, disse Cristiano. A médica que fez o parto deve ser ouvida pelo delegado ainda nesta semana.
Além dela, devem ser ouvidos enfermeiros, parentes e o médico que acompanhou o pré-natal de Débora. O Conselho Regional de Medicina vai ser informado sobre o caso para que acompanhe todo o inquerito policial.
Ontem à tarde, o DIÁRIO tentou, sem sucesso, localizar a médica que realizou o parto e procurou ouvir o Conselho Regional de Medicina, sem sucesso. A reportagem conversou, no entanto, com a secretária de Saúde do município, Elielsa Silva, já que o hospital onde Débora foi atendida é municipal.
Ontem à tarde, o DIÁRIO tentou, sem sucesso, localizar a médica que realizou o parto e procurou ouvir o Conselho Regional de Medicina, sem sucesso. A reportagem conversou, no entanto, com a secretária de Saúde do município, Elielsa Silva, já que o hospital onde Débora foi atendida é municipal.
Elielsa informou que ainda não recebeu o documento formalizando a denúncia da família, mas que, assim que a situação for oficializada, as partes serão ouvidas, devendo ocorrer a instauração de um processo administrativo para apurar o que realmente aconteceu.
A secretária disse ter conversado com a médica Maria Isa e disse que a profissional afirmou que a orientação era de que se fizesse o parto normal, informação que é contestada pela família de Débora. Ela esperava o terceiro filho. A criança, do sexo feminino, já estava com o enxoval pronto.
ESTATÍSTICAS
Segundo as estatísticas do Ministério da Saúde, o Pará tem, historicamente, sido o Estado com maior índice de mortes fetais na região Norte.
Em 2002, dos 3.566 óbitos registrados na região, 1.708 aconteceram no Pará, quase mil casos a mais que o segundo colocado, o Amazonas (798)
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